Inventário de Impulsividade de Dickman (Br-DII)

A impulsividade pode ser definida como uma predisposição para reações rápidas e não planejadas, sem levar em conta suas consequências (MOELLER et al., 2001). De modo geral, a impulsividade tem sido mencionada no Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-V) nos transtornos do défice de atenção e hiperatividade (MALLOY-DINIZ et al., 2007; DANG et al., 2014), de personalidade antissocial (SWANN et al., 2009), de personalidade borderline (CACKOWSKI et al., 2014), de conduta (GAO et al., 2016), de humor (PETERS et al., 2015), de abuso e dependência de substância (GRAY; MACKILLOP, 2015) e etc.

Por essa razão, os diversos constructos de impulsividade, geralmente, têm entendido a impulsividade em um contexto de consequências negativas ou disfuncionais (MALLOY-DINIZ et al., 2007; LAGE et al., 2013; BROWN et al., 2015; LIN; ZHANG, 2015; NEDERKOORN et al., 2015). Consequentemente, os instrumentos que buscam medir esse constructo foram desenvolvidos assumindo essa concepção, como a Barratt Impulsiveness Scale (BIS) (PATTON et al., 1995) e Behavioral Inibition System/Behavioral Activation System (BIS/BAS) (CARVER; WHITE, 1994). Apesar do entendimento de que a impulsividade é um constructo de caraterísticas negativas ou disfuncionais, Dickman (1990) sugere que as consequências da impulsividade nem sempre são negativas, como em tarefas muito simples, em que uma resposta rápida pode ter pouco custo em erros (DICKMAN, 1985); e em situações em que o tempo disponível para tomar uma decisão, ou para realizar um movimento, é restrito (DICKMAN; MEYER, 1988; LAGE et al., 2012), a impulsividade parece ter uma consequência positiva. Sendo assim, em 1990, Dickman desenvolveu um instrumento de autorrelato chamado Dickman’s Impulsivity Inventory (DII) , com o objetivo de investigar o constructo de impulsividade por meio de duas dimensões: funcional e disfuncional.

Entendo que este constructo (Funcional) poderia auxiliar em diversas situações cotidianas em que o contexto exigem uma processo de tomada de decisão com restrição de tempo (por exemplo, o de esportes com características de habilidades abertas - futebol, taekwondo, dentre outros), decidmos realizar a tradução, adaptação e validação da escala proposta por Dickman, no qual todo o processo é descrito na publicação do artigo original que encontra-se na Frontiers in Psychology na sessão Quantitative Psychology and Measurement.

Por fim, a escala foi adaptada e publicada com o objetivo de fornecer um instrumento de qualidade para investigar o constructo da impulsividade funcional em diferentes contextos como no esportivo (RAAB, 2012), no controle motor (LAGE et al., 2012), ou em modalidades ou ações em que o tempo para a tomada de decisão é restrito. Sendo assim, segue abaixo a escala e os detalhes de utilização.

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Dimensões

Funcional - Q2*; Q3*; Q4; Q5; Q6*; Q7*; Q8*; Q11; Q14; Q15

Disfuncional - Q1; Q9; Q10*; Q12; Q13; Q16; Q17*; Q18*

* Questões são pontudas de forma inversa (5=1; 4=2; 3=3; 2=4; 1=5

Pontuação da Escala

• A pontuação pode ser realizar tanto pela média quanto pela soma dos escores